Autora: Graziela Alves O mundo vive a era da globalização, ou
pode-se até dizer da pós-globalização, a cada dia que se passa mais
e mais teorias são criadas e velhas são derrubadas, descobertas,
lançamentos, mudanças ocorrem no clima, na política, na sociedade,
no convívio das pessoas e mais particularmente na forma como se vê
o mundo e como ele nos vê. Todas essas transformações supra citadas
são importantes e necessárias, afinal tudo está em constante
evolução. O problema que ocorre é que junto com todas essas
transformações, globalização, correria, acabou-se por esquecer
certos valores indispensáveis à vida dos cidadãos. Muita coisa
evoluiu, mas às vezes o básico foi esquecido, direitos como: todos
terem condições para ter uma vida digna, de qualidade em todos seus
aspectos,... Tudo isso ficou para um segundo plano, as
desigualdades e injustiças sociais cresceram assustadoramente. O
discurso político é muito bonito em época de eleições, dizendo que
as crianças são o futuro do mundo, do Brasil, lindo, maravilhoso,
se realmente políticas fossem desenvolvidas a promover isso de
verdade. Elas são o futuro sim, mas também são o presente, para se
construir um futuro feliz é preciso começar a caminhar desde o
presente tendo apoio em todos os seus aspectos. Outro
“jargão” que se criou “é de que tudo começa na
escola”, realmente isso não deixa de ser verdadeiro, mas a
família é à base de tudo, em segundo lugar, a escola é exatamente o
local mais apropriado para aquisição de conhecimento e construção
de consciência crítica, de se desenvolver a percepção mnemônica, o
raciocínio lógico, o desejo de mudança, enfim, a construção do
sujeito cidadão. Bem, se os principais objetivos das escolas são
esses, como se pode admitir a existência de escolas excludentes?
Mas afinal, o que se entende por uma escola inclusiva? Será aquela
que tem uma sala de recursos (tipo DA -deficiente auditivo - ou DV
– deficiente visual), ou ainda é aquela que tem alunos
cadeirantes, com síndromes,... Estudando nas classes comuns, será
que essas são escolas realmente inclusivas? A princípio, em um
primeiro olhar, poder-se-ia dizer que sim. São escolas inclusivas.
Mas pergunta-se: será que realmente essas unidades escolares não
segregam e excluem essas crianças com deficiências de alguma forma?
Não basta aceitar as pessoas com necessidades especiais, a unidade
escolar precisa de toda uma estrutura adaptada para atendê-las:
precisa de professores capacitados, requer profissionais para apoio
pedagógico, médico, psicólogo, estrutura física e pedagógica
diferenciados, enfim uma gama de profissionais e atendimentos são
necessários. Como tão bem salienta Aranha, 2004: “Assim, uma
escola somente poderá ser considerada inclusiva quando estiver
organizada para favorecer a cada aluno, independentemente de etnia,
sexo, idade, deficiência, condição social ou qualquer outra
situação. Um ensino significativo, é aquele que garante o acesso ao
conjunto sistematizado de conhecimentos como recursos a serem
mobilizados”. Construir uma escola inclusiva, não é assim tão
fácil precisa dos principais ingredientes da receita: vontade de
que as coisas realmente aconteçam, perseverança, fé, entusiasmo,
superação, não pode haver nenhum tipo de discriminação ou
preconceito, entre outros ingredientes, resumindo, precisa-se ter
vontade, é querer, é acreditar que pode dar certo e o mais
importante ter consciência de que muito já se está sendo feito mais
ainda é pouco, existe grande distância entre o real e o ideal, é
perceber que se irá errar muitas vezes e fracassar, mas é ter
coragem para reconhecer que errou e seguir em frente. Pois como já
dizia Paulo Freire “Todos nós sabemos alguma coisa, todos nós
ignoramos alguma coisa, por isso aprendemos sempre”. Todos
possuem limitações, ninguém é perfeito. Segundo Mantoan apud Gil,
1997: “A inclusão causa uma mudança de perspectiva
educacional, pois não se limita a ajudar somente os alunos que
apresentam dificuldades na escola, mas apóia a todos: professores,
alunos, pessoal administrativo, para que obtenham sucesso na
corrente educativa geral”. A luta em se ter uma escola
inclusiva de verdade é grande, de nada adianta colocar a criança
especial dentro de uma classe comum, se a deixarem segregada,
exclusa, vegetando em sala de aula. A pessoa com deficiência tem
que sentir-se valorizada, importante, inteligente, capaz igual aos
demais estudantes. Cada um possui limites, até os “ditos
normais” também possuem, o que o professor não pode é
enfatizar a limitação das pessoas e sim mostrar-lhes que são
capazes de evoluir sempre, que cada conquista não é o ponto final,
é apenas o estímulo para buscar cada vez mais. O professor que
enfatiza o fracasso da outra pessoa, que é indiferente, não pode
ser chamado de educador. Não se deseja de forma alguma, dizer que
ser professor é fácil ou de que ter crianças totalmente diversas e
com necessidades especiais em sala é tranqüilo fácil de trabalhar,
que todos sabem lidar perfeitamente, não é isso. Mas o que não se
pode aceitar é o docente que se deixa abater diante das
dificuldades, que não busca ajuda, esse sim é um fracassado, pois
prefere o erro (e muitas vezes bitolar e acabar com a vida de uma
criança) do que ter a humildade de pedir ajuda. A vontade de vencer
deve ser maior que o medo de fracassar. Ninguém vence sozinho.
Ninguém nasce sabendo as coisas, tudo se aprende e não se deve
nunca perder a esperança, confiança e tranqüilidade, bem como já
dizia Che Guevara “Tenemos que ser fuertes, pero jamais
perder la ternura” Segundo Aranha, 2004: “Escola
inclusiva é, aquela que garante a qualidade de ensino educacional a
cada um de seus alunos, reconhecendo e respeitando a diversidade e
respondendo a cada um de acordo com suas potencialidades e
necessidades” Na verdade, a escola que inclui é aquela que
além de oferecer o acesso das crianças portadoras de necessidades
especiais e de outras pessoas que de alguma forma sofrem algum
preconceito (índio, negro, o estrangeiro, etc.), é aquela que
garante a permanência e o sucesso dos alunos. Isso é um desafio
constante a todos. A construção de uma escola inclusiva de sucesso,
só pode ocorrer se anteriormente existir educação, sociedade,
família, mentes inclusivas, caso contrário o que se aprende e
constrói na escola pode ser perdido com facilidade nos demais
ambientes de convívio social, porque “O que nos faz
semelhantes ou mais humanos são as diferenças" (GOMES, Nilma Lino)
http://www.ensinoafrobrasil.org.br/portal/ O sucesso de toda escola
só acontece quando há a participação e a integração de todos os
envolvidos no processo educacional: docentes, direção, orientação,
pais, alunos, políticos empenhados, e toda a comunidade em geral.
Para nortear esses trabalhos faz-se necessário ter objetivos bem
claros, políticas públicas definidas e acessíveis, projeto político
pedagógico que condiz com a realidade, fundamentação teórica
relacionada com a prática (materialismo dialético), pois
“Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer
forma de rejeição” www.portoalegre.rs.gov.br./smed) O
processo de avaliação deverá ser todo reformulado também, ao se
lidar com crianças com deficiências, não se pode julgar todos
iguais, cada qual tem seus talentos, suas habilidades e capacidades
próprias; e trabalhá-las, desenvolvê-las é o mais importante do que
um simples número que restringe, bitola e constrange uma pessoa. A
legislação é bem clara quando relata que se deve oferecer estudo
gratuito a todas as crianças de 0 a 14 anos, mas o que ocorre
muitas vezes é os pais (principalmente de pessoas com necessidades
especiais) não saberem disso, de que tem o direito de colocar seus
filhos na escola. Cabe não só aos pais a responsabilidade de
procurar matrícula, mas também da escola e da comunidade,
reconhecer e ir à busca dessas crianças e levá-las a escola.
Conforme Aranha (2004) pontua: “Quando a família dispõe de
meios efetivos de participação ativa e regular na vida da escola,
gradativamente constrói a consciência de que a escola é um bem
público que também é seu” A avaliação (já citada), bem como,
a proposta pedagógica deve ser estudada, reinventada, deve haver
flexões curriculares para atender todo o público escolar. Enfim,
uma escola inclusiva ideal requer muitas coisas, segundo Aranha
(2004) pensa: “A escola que pretende ser inclusiva deve se
planejar para gradativamente implementar as adequações necessárias,
para garantir o acesso de alunos com necessidades educacionais
especiais à aprendizagem e ao conhecimento." Para a construção de
uma escola inclusiva, primeiramente é importante que o município
tenha elaborado e em funcionamento o Plano Municipal de Educação,
pois sem planejamento é praticamente impossível estabelecer
prioridades e necessidades reais do município e das escolas. Para
Aranha, 2004: “O Plano Municipal de Educação, portanto, deve
ser um instrumento construído coletivamente, a partir da ampla
consulta à população em geral, e à comunidade acadêmica, em
particular. Deve ser avaliado continuamente, reajustado e
divulgado, à medida que avanços ocorram no alcance das" O Plano
Municipal de Educação deve ter por base o Plano Nacional e Estadual
de Educação, só a partir dos conhecimentos destes, que o do
município pode ser construído. Cada cidade tem até o ano de 2010
para ter seu Plano Municipal de Educação elaborado. Com este Plano
maior e melhores ações podem ser planejadas, prevenidas,
desenvolvidas. O município terá todo um levantamento da real
situação da educação na cidade. Segue a seguir algumas informações
que o município poderá obter com o Plano: mapeamento das crianças
de 0 a 14 anos freqüentando ou não a escola, informações sobre
alunos com necessidades especiais nesta faixa etária, quais
adequações físicas ainda são necessárias nas escolas, qual o apoio
técnico e pedagógico que os professores recebem programa de
formação continuada para professores, processo de avaliação, entre
outros. Percebe-se que não é tarefa fácil construir e colocar em
prática uma escola inclusiva. Muitas unidades escolares apenas
integram os alunos com deficiência, mas isso não é ser uma escola
inclusiva. A inclusão requer muito mais. A verdadeira inclusão só
ocorre quando se consegue remover todas as barreiras existentes:
preconceitos, pré-conceitos, medo, comodismo,... A escola inclusiva
quer acabar com os rótulos de que a criança com deficiência
necessita de uma escola paternalista, assistencial, que as trate
como incapazes ou limitados. Sobre isso, Monte e Santos (2004)
dizem que: “A inclusão está fundada na dimensão humana e
sociocultural que procura enfatizar formas de interação positivas,
possibilidades, apoio às dificuldades e acolhimento das
necessidades dessas pessoas, tendo como ponto de partida a escuta
dos alunos, pais e comunidade escolar”. “A pedagogia
adotada na escola inclusiva deve ser a pedagogia voltada à criança
como um todo. “A escola deve buscar refletir sobre sua
prática, questionar seu projeto pedagógico e verificar se ele está
voltado para diversidade” Percebe-se que aqui não se está
falando em tratar as crianças como diferentes, melhores ou piores
umas que as outras, mas sim da necessidade da escola conhecer a
diversidade com que trabalha para que realmente possa desenvolver
um bom trabalho, que atinja a todos, sem ser excludente. Também não
se deseja a uniformização das crianças, ou seja, que sejam todas
consideradas iguais, pois cada ser é uno, e merece ser tratado como
ser especial, realmente único como é. Nesse processo objetiva-se
apenas a inclusão de todos, e esta deve ocorrer não só na escola
mas em toda a vida social da pessoa. Assim, Gil (1997) comenta:
“É importante que o professor e toda a comunidade escolar
(diretor, funcionários, alunos) se lembrem de que todo aluno pode,
a seu modo e respeitando seu tempo, beneficiar-se de programas
educacionais, desde que tenha oportunidades adequadas para
desenvolver sua potencialidade”. Graziela Alves - Licenciada
em Letras (Português/Inglês) pela Universidade do Vale do Itajaí -
UNIVALI e Pós-Graduada em Práticas Pedagógicas Inovadoras com
Enfoques Multidisciplinares no Ensino Fundamental e Médio pela
Faculdade de Educação de Joinville - FEJ e Secretária
Administrativa da Secretaria Municipal de Educação, Cultura e
Esporte de São João Batista.

